Decayed - entrevista exclusiva!

29 Dec 2008 - Pedro

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Com novo álbum prestes a ser lançado, os Decayed são umas das mais emblemáticas bandas portuguesas no panorama metálico. Fomos falar com W, encarregue das vocalizações, para sabermos mais sobre o novo “The Black Metal Flame”.

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Benvindo ao MetalWebzine.com. O novo álbum “The Black Metal Flame” está aí. O que podemos esperar deste novo lançamento?

Decayed. Sem tirar nem pôr. A seguir à saga “Hexagram”, propusemo-nos a regressar aos primórdios de Decayed, e esquecer um pouco o “black n’ roll” que nos caracterizou neste álbum. Não vou dizer que o conseguimos 100%, ainda assim considero este álbum uma mistura do “Conjuration...” com o “Resurrectiónem Mortuórum”. O pessoal que ouça e o julgue. 

 Tentaram explorar novas sonoridades, novos métodos de trabalho?

Como já te tinha dito, quisemos voltar aos velhos tempos de Decayed, voltar a impor uma certa agressividade que nos caracterizou nos 1ºs álbuns. Já em relação aos métodos de trabalho nada mudou. Trocamos mails, sms, telefonemas toda a semana, trocamos ideias, e metemos em prática ao fim de semana tudo o que foi falado entretanto. Só assim se aguenta uma banda durante 18 anos, as bandas não existem ao fim de semana, existem 24 horas por dia, 365 dias por ano. Juntando foguetes e álcool, são estes os nosso métodos de trabalho. Sempre foram.

Assinaram pela editora espanhola Black Seed para o lançamento deste novo trabalho. Estão satisfeitos com esta aposta? Que podem esperar em termos de promoção e distribuição?

Estamos mais que satisfeitos com a Blackseed. Têm feito de tudo para que o álbum esteja cá fora com o máximo de qualidade e pontualidade. Acredito que fizemos o melhor para nós ao assinar pela Blackseed para os próximos 2 álbuns. Estamos a todo o dia, a toda a hora em contacto com eles, e tudo está a correr pelo melhor. Tivemos uma experiência “menos boa” com a Folter, tudo o que venha da Blackseed é bom.

Já existem muitos espectáculos agendados? Podemos esperar ver os Decayed de Norte a Sul do país?

É muito fácil irmos ao Norte, o pessoal do Norte é receptivo, gosta de Decayed, vamos a Valadares dia 4 de Outubro, e esperamos passar por lá mais vezes ainda antes do final do ano. Geralmente os concertos começam a aparecer depois dos álbuns saírem, por isso vamos esperar, mas estamos bem “servidos” por agora, mas enquanto houverem fins de semana livres, estamos sempre receptivos para tocar seja onde for.

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Os Decayed já existem desde 1990. Muitas foram as alterações no line-up da banda, no entanto a chama continua acesa. Esta formação tem demonstrado boas prestações e parece bastante coesa. Estamos perante uma formação que está para durar?

Engraçado fazeres-me essa pergunta, quando hoje, dia 20 de Setembro o VA, nosso baterista, comunicou à banda a necessidade de sair da banda, por motivos profissionais. Estamos bastante tristes porque o VA sempre foi boa companhia e um grande amigo, mas no país em que vivemos, infelizmente, temos de meter o emprego acima da banda. Seja como for, todos os restantes membros se sentem cheios de energia e vontade de levar isto para a frente, e acredites ou não, vai sair agora o 7º álbum, mas já temos tudo pensado até ao 10º. 

São de longe a banda portuguesa de Metal com mais registos discográficos. De onde vem tanta inspiração?

Como já te tinha dito anteriormente, não esperamos pelos ensaios para que a inspiração chegue. Todos pensamos na banda todo o dia, a toda a hora, e quando alguma nova ideia surge, é apontar no papel mais próximo, e de seguida mandar mail, ou telefonar aos restantes elementos da banda. Por muitas coisas que se façam, há sempre algo novo que nos aparece.  

Os Decayed sempre se mantiveram fiéis ao seu estilo, influenciado pelas bandas dos anos 80. Nunca sentiram necessidade de mudar o som? Como vês a cena metal actual, tanto nacional como internacional?

Mudar o som é conversa proibida para estes lados. Somos fiéis aos que começou em 1990 e não vamos mudar, dê por onde der. Em relação a cena metal actual, perguntas bem... não faço ideia, a muito tempo que me “desliguei” disto. De vez em quando lá aparece uma banda que me desperta a curiosidade, mas é raro. Desde que anda meio mundo a tentar foder outro meio, desde que à pala da internet hoje toda a gente é crítico de sofá, não tenho muita pica para acompanhar o que se faz agora. Agarro nos meus LP´s de Heavy Metal que tenho para aqui, sento-me no sofá, relaxo e passo bons momentos cá por casa, haha...

A sensação que tenho, pelo que tenho visto e pelas opiniões que tenho tido oportunidade de ler é que existem em Portugal bandas de black metal e existem os Decayed. Muitas pessoas fãs de black metal não consideram os Decayed uma banda de black metal. O que achas disto?

Acho que hoje em dia já se criaram tantos sub-géneros do metal, que já nem eu sei bem o que é o black metal. Para mim, o black metal começou com os Venom (embora haja quem diga que Venom eram Heavy Metal), e mais tarde Bathory deu um toque mais pesado. Se Decayed sempre teve influencias de ambas as bandas, porque não encarar Decayed como black metal?  Cada cabeça, cada sentença, se calhar há gente que está a espera que Decayed grave um álbum numa caverna, numa noite de inverno, com o gravador do spectrum, para ver Decayed como uma banda de black metal. Não estamos nada preocupados com catálogos.

Não posso deixar de tocar neste assunto. Existem alguns comentários pela internet que questionam algumas atitudes supostamente menos próprias em palco da tua parte, onde dizem mesmo que devias estar num circo. Aliás, tens esse facto bem explicito no teu MySpace pessoal. Gostavas de comentar este facto? Achas que há pessoas a levar demasiado a sério a cena?

Eu acho é que há pessoas que as vezes se enganam e pensam que estão no CCB ou na Gulbenkian. Eu nem sei porque raio há gente que se dá ao trabalho de comentar como eu me comporto em palco, mas é capaz de aplaudir as mesmas atitudes se for numa banda estrangeira. Fomos tocar a Barcelona, tivemos uma tarde filha da puta, regada com álcool e mais umas quantas coisas, e quando subimos ao palco, deu-me para exteriorizar o nosso estado de euforia que vivíamos na altura. Quem gostou gostou, quem não gostou, virou costas e foi embora, que ainda por cima o concerto era de borla, não perdeu nada. Se agarro nas minhas partes intimas em palco é cá comigo, quem não gosta, azar. Alguém criticou o facto de eu ter chamado “cabrones” aos espanhóis, mas se alguma banda estrangeira gritar “motherfuckers” toda a gente vai ao rubro e aplaude! Também não vi ninguém a criticar os Brujeria em Barroselas este ano quando eles chamaram “cabrones” mais que uma vez. “Cabrones” para os espanhóis, não tem o mesmo sentido que eu chamar “cabrões” aos Portugueses. Ainda há a melhor delas todas: eu dediquei a Hell-Witch às mulheres que ali estavam presentes, mas um burro da merda entendeu que eu estava ali para “fojar todas las mujeres”. Se a intenção era meter a banda, ou a mim, abaixo, tiveram azar. Está aqui outro álbum, mais um episódio na história dos Decayed, doa a quem doer.   

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Tenho reparado que, especialmente nos concertos de bandas estrangeiras com bandas portuguesas de suporte, o público não apoia muito as bandas nacionais e acaba por entrar no recinto já a meio dos concertos. Tens notado isso com os Decayed? Qual a tua opinião sobre este facto?

Para te ser sincero, não tenho notado isso com Decayed, felizmente temos sempre um óptimo publico, sejamos os primeiros, ou os últimos a tocar, mas tenho a consciência que isso acontece com muitas outras bandas. Que queres que te diga? O que se faz lá fora é que é bom? É mentira. Sou optimista, e acho é que o pessoal como tem oportunidades de ver as “nossas” bandas montes de vezes, fica sempre mais entusiasta quando vêm bandas estrangeiras que já não têm tantas hipóteses de ver. Prefiro pensar assim.

Obrigado pela entrevista, as últimas palavras são tuas. Alguma mensagem que gostavas de deixar aos leitores do MetalWebzine.com?

Vou ser cliché: apoiem o metal, levantem o cu do sofá e vão a concertos, comprem álbuns, dêem um pouco mais de vocês para que isto avance além fronteiras. Pensem com as vossas próprias cabeças. Dechristianize for Eternity!
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